Arch Linux – Minhas impressões

Como sou novo nesse mundo Linux, conheço muito poucas distros, para ser sincero, quase nenhuma. Só Debian e as Debian-likes: Ubuntu e Kubuntu (Kubuntu por alto). Nada de muito avançado conheço dessas distros, só o básico e o necessário para fazer meus afazeres diários e manipular o Linux de modo que eu adquira conhecimento de forma paciente. Mas, estimulado por ver que a maioria dos usuários de Linux conhecem no mínimo umas 5 distros muito bem, resolvi me envolver mais nesse “lance” de peregrinar por esse mundão de distros Linux. Foi ai que o Arch Linux tornou-se meu alvo. Por mói de quê escolhi o Arch? Conversando um dia com um cara gente fina, chamado Marcelo Cavalcante (el kalib), sobre esse meu propósito de conhecer outras distribuições, ele me falou sobre a existência de uma que me ensinaria bastante coisa apenas na instalação, e que a sua instalação era feita em modo 100% texto e que ele vinha “pelado”(na hora não entendi o que ele quis dizer com “pelado”). Vislumbrei, quando ele disse isso, um desafio, e tratei de arrumar uma ISO do Arch para a minha arquitetura. Foi o que fiz. Rodei o VirtualBox e botei o Arch para instalar.

A Instalação –

A instalação do Arch é realmente como o kalib me preveniu. Toda em modo texto. Mas, é uma instalação simples e bem orientada.
As primeiras partes da instalação, você não precisa instalar nada, só precisará preparar a maquina para a instalação real, de fato. (Abrindo aspas “Arrisco dizer que a instalação foi dividida de forma inteligente e intuitiva, isso facilita muito na hora de entender as opções dela.”)
Quando chega na opção “Select Packages”, você terá que selecionar os pacotes a serem instalados na opção seguinte. Por padrão, o Arch já mantém os pacotes básicos para serem instalados (outro ponto mamão com açúcar da instalação). No meu caso, o único pacote a mais que selecionei foi: o “sudo”. Só isso. Caso o usuário pretenda instalar o Arch para outros fins, ele vai selecionando os pacotes que desejar.
Nesse ponto, o Arch tem a vantagem de manter uma instalação enxuta, sem bagunça quanto à quantidade de pacotes que não servirão para os interesses do usuário. Isso deixa a interação com sistema mais rápida(penso eu).
Depois de instalados os pacotes (que é coisa rápida), chega a parte de “Configurar o Sistema (Configure System)”. Mas não é nada de bicho com sete cabeças. Pelo contrário, é muito simples. Praticamente, só é necessário alterar três arquivos durante a instalação do sistema do Arch Linux. São eles, no diretório “/etc/”: rc.conf, locale.gen e pacman.d/mirrorlist. No meu caso, usando VirtualBox, alterei apenas estes três arquivos para ter uma instalação tranqüila. Simples, né? E confesso que, não há muito que se falar sobre este ponto.

O Pacman –

Depois do sistema já ter sido instalado, o Arch vem “nuzim”, “pelado”, “cru”, enfim, nada que o faça ser utilizável em um desktop. Mas, é ai que entra o pacman como protagonista nessa parte da instalação. Tenho que destacar o Pacman. Não posso em hipótese alguma deixar de falar sobre esse cara, o pacman. Para deixar a distro redonda no desktop, o pacman é a ferramenta fiel do Arch Linux. O pacman, mostra de verdade o que é simplicidade (e poder :D).
Rodando o pacman e instalando alguns pacotes no seu Arch Linux, dependendo da velocidade da sua internet, em poucas horas seu desktop estará redondo (em, mais ou menos 5 horas, com uma net de 1mb, consigo deixar o Arch Linux 60% pronto para eu usar… isso no meu caso que ainda sou iniciante…).

É uma ferramenta, que, ao menos para mim, é segura e prática. Segura porque, até então, ele não quebrou meu sistema vez alguma (contando que o Arch Linux é uma distribuição “rolling release”, e que atualizo ele no mínimo duas vezes por dia.). Isso é um crédito que o Arch Linux + Pacman nos dão, juntos. Ferramenta prática, pelo fato de se poder fazer várias coisas com ele. Alem de fazer instalação de um pacote, ele pesquisa, dá a opção de remover um pacote com ou sem dependências entre outras coisas.

O AUR –

Abreviação de Arch User Repository. É o repositório do Arch Linux, dirigido pelos usuários, onde os mesmos têm a liberdade de criar seus pacotes e fazer upload no AUR para que outros usuários possam compilar tais pacotes através de um código fonte e em seguida instalar em suas maquinas.
Ele é mantido com o intuito de incluir, organizar e distribuir novos pacotes criados por users do Arch Linux. É um ponto muito interessante na comunidade, e é nítido o desejo do projeto de querer integrar a participação voluntária dos usuários. Acho isso muito bonito, me dá a impressão de que a filosofia GNU/Linux é seguida na sua risca. E tem mais, caso um pacote se torne popular, ele é colocado no repositório “Community” e poderá ser baixado e instalado via pacman. Belezura, eim?!

Caso você não queira, ou não saiba(meu caso) compilar um pacote baixado do AUR, você pode automatizar o processo de compilação e instalação com Yaourt. O Yaourt foi criado pela comunidade ArchLinux-Fr (francesa), serve para isso ai que falei, automatizar o processo de compilação e instalação. Ele é tão pratico quanto o pacman, e o melhor, se utiliza dos mesmos parâmetros(opções).

Ex.:
Pesquisar por um pacote com pacman faça:
 # pacman -Ss nome-do-pacote 

Com Yaourt faça:
 $ yaourt -Ss nome-do-pacote

Simples, não é?!! 😉

O fato de ser Rolling Release –

Não vou me estender muito nesse ponto.
Mas posso dizer que é uma tremenda vantagem usar uma distribuição rolling release como o Arch Linux. Está sempre atualizado com as novidades é um quesito interessante. Posso, ter meu sistema constantemente atualizado e otimizado através das facilidades que trás uma distribuição dessa categoria. Posso sair de uma versão do Arch, para outra sem precisar reinstalar o sistema do zero ou fazendo (como nosso amigo leoarch disse nos comentts) uma gambi para “pular” de versão.

Bleeding Edge (confesso que não conhecia esse termo)

Um pequeno exemplo de bleeding edge: Estava com o Firefox em sua verão 5.0, assim que foi lançada a versão 6.0, ao rodar o pacman, foi instalando automaticamente no meu sistema a nova versão. Dai veios bugs, não demorou muito(questão de dias) e já vieram as atualizações com as melhoras e com o tradutor pt_BR do browser (coisa que não tinha antes da atualização). Bom de mais isso, eim!? Isso me fez ganhar tempo, não me fazendo bater cabeça com coisas tão triviais.

Declaração Final –

O Arch Linux, apesar de ser uma distro “nova”, vem se mostrando a cada dia uma distribuição madura e poderosa, apesar de simples. Dou crédito ao Arch Linux na mesma valia que daria para o Debian.
Mas, diferente do Debian, o Arch Linux é rolling release. É uma distribuição que está em constante atualização, e que você pode dar um upgrade no seu sistema com apenas um comando. Faça isso com o Debian e correrá o risco de derrubar seu sistema(caso você não seja um usuário experiente. Tentei isso uma vez e me dei mal! xD ).

Talvez eu poderia citar alguns contras na distribuição, que seriam: 1º – É definitivamente uma distro anti-preguiça. 2º – É necessariamente dependente de uma internet… boa, no mínimo.
Para se aventurar com Arch Linux, você vai ter que ler bastante e alongar muito seus dedos. Como já mencionei, ele vem “pelado”, ou seja, terás que se desdobrar para configura-lo a sua maneira, para customizar e deixa-lo do jeito que quiser. Eu, para me adaptar ao Arch Linux, li muito mais do que normalmente leio no meu dia-a-dia. Sim, é verdade. Li uma grande quantidade de textos(em inglês, espanhol e português) para poder entender MAIS OU MENOS como o Arch Linux funciona. Então, se você é um preguiçoso, não gosta de ler, é acomodado… procure mudar isso, caso queira conhecer o Arch.

Alem da leitura, no inicio, precisei muito do terminal para concretizar meus anseios com o Arch Linux. Como sou meio biruta, dei uma dose a mais de terminal nos meus dias e madrugadas quando resolvi usar o LXDE como interface gráfica. Como assim? O LXDE, por natureza, necessita bastante do terminal, tanto para a parte visual quanto para a parte de acessibilidade(menus, atalhos etc.), e isso incrementou ainda mais a minha necessidade por usar o terminal. Mas, foda-se é muito divertido!!! ahahahha
No meu caso, isso acaba sendo é uma vantagem tremenda, e para quem gosta de fuçar é um ponto positivo também.
E também, como o Arch Linux vive em constante atualização, é necessário uma internet para poder estar com, tanto os repositórios quanto o sistema atualizados.

Abri o post dizendo que sou um iniciante. E realmente sou, mas, o Arch Linux não foi criado para usuários leigos. O Arch Linux é para usuários competentes e que já tenham um certo conhecimento em Linux. Não estou querendo dizer que sou competente e phodastico com o Arch Linux. Não. Simplesmente não foi fácil entender o Arch Linux, apanhei e ainda hoje apanho para ele e foi por isso que cheguei a essa conclusão(tanto que uso ele, ainda, com VirtualBox(mas já estou organizando meus arquivos para rodar ele no meu HD)). Mas, depois que se pega o jeito, fica fácil brincar com o Arch.

Concluindo –

Ainda há muito o que se falar do Arch Linux como distro, porem, eu ainda não sou a pessoa mais gabaritada para aprofundar o assunto, e o meu intuito é de mostrar para usuários iniciantes o que o Arch Linux é capaz de fazer.
Então é isso galera, acho o Arch Linux uma ótima distro, leve, pratica, rápida, poderosa, maleável, simples… entre outras coisas.

Até a próxima
fui-me!

PS.:Também não posso deixar de fora à comunidade ArchLinux, me acolheu e sanou meus problemas com prontidão, isso me cativou muito.

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